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Clássicos X-Men: Ororo, uma Deusa Sem Poderes

Para os americanos a edição Uncanny X-Men 186 chegou no ano de 1984, para nós brasileiros vimos essa edição em 1989 no formatinho da editora Abril em X-Men #10 logo nos primórdios da revista, a edição em questão não se trata de uma história inesquecível dos mutantes como Dias de Um Futuro Esquecido ou a Saga da Fênix Negra, ou talvez algo profundo e reflexivo como Deus Ama o Homem Mata, não, mas não por isso não se trate de uma história muito bela, em que mostra Claremont em seu auge,sabendo explorar e muito os personagens que ele tinha em mãos. Ao ler X-Men de uns anos pra cá, vemos muito destaque para lutas e para mostrar mutantes cada vez mais poderosos, todavia, questões crucias são deixadas de lado, o sentimento, o amor, o ódio, enfim, algo que Claremont explorava de forma única…Era como  vermos membros de nossas famílias ou amigos ali naquelas páginas.

O contexto da época:

Para nos situarmos na cronologia de 1984 temos muitos fatores importantes, a mutante Vampira estava sendo procurada pelo governo acusada de assassinar um agente da SHIELD, a DRA. Valerie Cooper vai atrás de um mutante chamado Forge(que faz sua primeira aparição na edição 184), Forge criou uma arma para tentar exterminar seres alienígenas chamados Espectros, e essa arma ainda está em processo de testes, porém Valerie Cooper engana Forge e consegue obter esse armamento, o objetivo da Doutora é testar essa arma em mutantes com a esperança de anular para sempre os poderes deles. É bem importante salientar que Forge não aprovou a atitude do governo obter a arma. Eis que o governo vai atrás de Vampira para prendê-la, no momento da batalha Tempestade está junto da amiga e quando estavam tentando salvar um barco no rio Mississipi o oficial Gyrich atira com a arma especial em Vampira com a força máxima, Forge tenta impedir Gyrich, porém, o tiro acerta acidentalmente Tempestade que cai inconsciente no rio, Forge salva a mutante e a leva para sua casa.

Enfim a edição #186:

Nessa época quem desenhava a publicação mutante era John Romita Jr., porém por uma obra do destino quem desenhou a edição #186 foi ninguém menos que Barry Windsor-Smith(o responsável por Arma X-Wolverine), e a escolha não podia ser mais ideal, os traços de Barry são melancólicos e cheio de realismo, a edição começa com Tempestade deitada numa cama no apartamento luxuoso de Forge, a mutante tinha acabado de perder os poderes, agora ela era uma Deusa que não podia mais voar, uma mulher completamente entregue a dor e a derrota…Forge por sua vez tenta animar Ororo, dando comida e pedindo para ela se levantar. O detalhe dramático é que Forge é de certa forma responsável por Ororo ter perdido os poderes pois ele criou a arma, e Tempestade nem imagina que seu acolhedor é na verdade o criador da fatal arma.

As sequências narrativas de Barry é de impressionar, tal a carga belíssima inserida, em alguns momentos vamos conhecendo a origem desse curioso mutante chamado Forge cujo poder é a criar coisas, dotado de uma inteligência gigantesca e também possuindo vasto conhecimento de magia,haja vista Forge ser descendente de índios Cherokees. 

Tempestade enfim consegue se levantar da cama, e resolve nadar na piscina de Forge, em certo momento ela aposta uma corrida com Forge, e Ororo zomba do recém amigo que ele é muito devagar na natação, é nesse momento que ela olha na borda da piscina e vê uma prótese(perna mecânica) e nota imediatamente que Forge não possui parte de uma membro essencial…O mutante diz: ” como vê, Ororo, eu compreendo sua situação!”

Forge e Tempestade rapidamente se tornam cada vez mais íntimos, e o tempo na cobertura luxuosa e tecnológica do mutante parece não passar, logo os dois se beijam e parece que as coisas vão começar a dar certo, mas Forge recebe um telefonema do governo e Ororo sem querer descobre que Forge inventou a arma que lhe tirou os poderes e instintivamente liga Forge a toda a situação traumática.

A edição termina com uma chuva torrencial na noite de Dallas-Texas, Ororo após machucar fortemente Forge com palavras vai embora absolutamente arrasada, e começa a sumir no meio da chuva, algo totalmente irônico pois a mulher não domina mais as tempestades, Forge por sua vez se vê completamente derrotado pelo destino…Duas pessoas derrotadas pelas circunstâncias, que sequer tiveram chances.

O roteiro dessa história combinada com a arte de Barry Windsor-Smith, é uma das histórias mais tristes e expressivas que eu já li em toda a cronologia dos X-Men.

 

Apaixonado por hqs dos anos 70 e 80, e acredita piamente que homem aranha e x-men voltarão a ser quadrinhos de ponta...