Menu

Crítica | Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola – Por Ramon Vitor.

Frenético, filme de Gentili e Bittar cumpre promessa de ser diferente, e entrega ao público comédia de exageros  politicamente incorreta que não deve nada as americanas. 

14/10/2017 – 11:00 RAMON VITOR

Desculpe leitor, mas não quero causar nenhum desconforto ou gerar intriga entre mim e você. Logo, gostaria de avisar que se por algum motivo, espera que eu penda minha avaliação a qualquer lado do gigante “Gre-Nal político” que vivemos hoje, lhe aconselho a parar de ler por aqui. Pois não seria nem um pouco profissional de minha parte enaltecer ou desmerecer uma produção artística por tal motivo.

Faz um bom tempo que o livro escrito por Danilo Gentili teve seu longa metragem anunciado, algo inusitado, tendo em vista que a obra literária era apenas um manual, sem possuir nenhuma narrativa completa. Pois bem, no filme a dupla de roteiristas decidiu contar a história de dois estudantes do ensino fundamental da escola onde o bullying foi erradicado pelo diretor Alcemar (Carlos Villagrán), que se veem em problemas, e acabam achando o tal manual, o que vai acabar gerando o encontro entre eles e o personagem do apresentador do The Noite. Basicamente isso é tudo o que você tem que saber sobre o filme.

O roteiro não se preocupa em ser algo grandioso ou passar qualquer mensagem profunda que seja, ele é feito basicamente para fazer rir, e dar uma ou outra cutucada em certos aspectos sociais, chegando até a brincar com essa despretensão narrativa em diversos momentos.  Talvez a parte mais lenta do filme seja a sua introdução, o que não é muito demérito, pois ela situa bem o público na história e tem sim seus alívios cômicos programados, mas depois disso o filme assume um perfil frenético, vai sempre numa crescente até o terceiro ato, onde começa a diminuir ritmo aparentando a criação de um “bucho”, mas rapidamente se recompõe e volta a ser acelerado. Em outras palavras, esta é uma história de comédia pura.

A direção do   Fabrício Bittar é um dos pontos altos do filme, pois o diretor consegue com pouco orçamento entregar uma produção que foge dos padrões cinematográficos brasileiro de maneira que o filme não passe nenhuma vergonha em relação as grandes produções gringas, o longa aparenta ter custado dez vezes mais que o valor total de seu orçamento. Destacam-se em seu trabalho os enquadramentos diferenciados, as transições bem feitas, e principalmente o efeitos práticos que estão perfeitos.

Quanto a atuação não há o que reclamar, pois todo o elenco entrega trabalhos aceitáveis, porém  Carlos Villagrán e Moacyr Franco surgem como as grandes disparidades nesta curva, pois fazem um trabalho fenomenal. Não tem como não gostar do personagem do Moacyr Franco, ele é talvez o mais “carismático” de todo o longa.

Assim como as recentes produções hollyoodianas, o longa se abastece bastante de referências aos anos oitenta e tem trilha sonora marcante. Podemos perceber a leve presença de John Hughes, e a pesada de Jim Carrey em cada momento em que o Danilo Gentili aparece na tela. Além dessas espere muitas menções a cultura pop da época.

Quanto as polêmicas do filme ser totalmente errado, fora da casinha, e ter cenas que pessoas julgam imorais, lembre-se, este filme não faz nada que qualquer comédia de exagero no mundo, como Projeto X Superbad,  já não tenham feito. Dá pra se dizer até que o trabalho do Gentili com o Bittar tem muita semelhança com o do Seth Rogen e Evan Goldberg.

Por fim, estamos diante de um filme muito bem produzido, com boa direção, um roteiro bem feito, e atuações na média. O filme tem sim sua graça, atingindo um público mais, outro menos, mas por favor, respeite a classificação indicativa, não leve uma criança de 5 anos de idade ao cinema para ver este longa.

Talvez dizer que  passou de ano seja uma péssima notícia ao pior aluno da escola.


Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola (2017);

País: Brasil;

Classificação: 14 anos;

Estreia: 12 de Outubro;

Direção:  Fabrício Bittar;

Roteiro: Danilo Gentili , Fabrício Bittar;

Elenco: Danilo Gentili , Bruno Munhoz , Daniel Pimentel , Carlos Villagrán, Danilo Gentili , Moacyr Franco , Raul Gazolla;

 

NOTA: 3,4/5

Frenético, filme de Gentili e Bittar cumpre promessa de ser diferente, e entrega ao público comédia de exageros  politicamente incorreta que não deve nada as americanas.  14/10/2017 - 11:00 RAMON VITOR Desculpe leitor, mas não quero causar nenhum desconforto ou gerar intriga entre mim e você. Logo, gostaria de avisar que se…
NOTA DO CRÍTICO: 3,4/5

Nota do Leitor 4.09 ( 5 votos)
60

Ramon Vitor
Nerd, cinéfilo e um estudioso da música. Este é Ramon.
  • Mr_MiracleMan_Jr

    Eu curti bastante o filme. Bem produzido e engraçado. Pena que estão tentando politizar tudo hoje em dia…

    • Ramon Vitor

      É porque estamos no Brasil, e aqui até política é tratada como futebol, cada um escolhe seu time e defende ele até a morte, pouco se importando com o bem estar da população, querendo apenas alimentar o próprio ego.

  • Rúbia Bez Lerias

    Bom, eu não gosto muito de comédia, o último que realmente gostei foi O pequeno Nicolau, então….