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Conheça o Serial Killer Sul-Mato-Grossense Que É Destaque Em Premiações De Cinema No Mundo Todo.

Herói, anti herói, ou apenas um Serial Killers? O Florista é um personagem que decide fazer justiça com as próprias mãos, num país onde as injustiças não são punidas. Dessa forma, o serial killer criado pelo Filipe Silveira, ultrapassa a casa do simples entretenimento, trazendo um contexto político e social muito forte em sua construção.

O personagem é protagonista de um curta metragem muito bem dirigido, e é usado como um veículo de crítica a homofobia, problema que está cada vez mais grave e mortal ao passar dos anos. E isso funciona muito bem, pois além de trazer um peso dramático mais apurado a trama, evidência o potencial do personagem de ser um expoente aos nossos graves problemas, de forma que não pareça algo forçado.

Filipi Silveira mostra que sabe muito bem trabalhar como diretor, os closes  e  as técnicas para gravação de ação que usa, são dignos de diretores experientes. A produção só não é mais perfeita devido ao seu teor independente, que por falta de orçamento obriga que se ultilizem efeitos especiais pouco convincentes.

Intrigante, o material do sul-mato-grossense mostra um enorme potencial para se tornar algo ainda maior. Seja um longa metragem que aborde a dualidade filosófica do personagem que ao mesmo tempo que busca fazer justiça, mata suas vítimas, ou um seriado que procure focar em mais casos (Um por episódio) de injúrias que acontecem em nosso Brasil.

Posso afirmar que estamos presenciando o nascimento de uma coisa muito grande!

Cinco anos após ser lançado, o curta de 18 minutos que despertou a atenção da crítica mundial no último dia 28 de junho – Dia do Orgulho LGBT (Lésbicas Gays Bissexuais Transsexuais) o filme foi disponibilizado ao grande público por meio da plataforma de vídeo Youtube, logo após apresentação gratuita no MIS (Museu da Imagem e do Som), em Campo Grande (MS).

Após a exibição, aconteceu debate sobre crimes, homofobia e justiça, com o diretor do curta Filipi Silveira, a produtora executiva Rose Borges, o jornalista, Guilherme Cavalcante, o sub-secretário de Políticas Públicas LGBT de MS, Frank Rossatte do psicólogo do Centro de referência em direitos humanos de prevenção e combate à Homofobia (CentrHo), Arthur Serra Galvão, além da ampla participação popular.

O livre-acesso da obra tem por objetivo promover o debate sobre a violência gratuita diariamente registrada no País e a escolha da data para esse lançamento é devido o Mês do Orgulho LGBT.

Para Frank Rossatte,, a discussão provocada pelo filme é extremamente importante para a causa LGBT. “Aqui é o único estado onde o nome social é aceito em boletim de ocorrência. As polícias e bombeiros são treinados para agir e tratar nos casos envolvendo questões LGBT. Acredito que as escolas deveriam exibir esse filme e trabalhar o combate à homofobia, mas ainda existem entraves”, opinou. Arthur concordou. “O filme é real, mostra a rotina que vemos diariamente da violência e intolerância”.

O suspense todo produzido em Campo Grande traz em um único encontro, histórias paralelas que inicia em um ato homofóbico, passando por crueldade e pela ideia de que “com as próprias mãos”, um cidadão tem o direito de eliminar as pragas existentes nesse belo jardim que é o mundo, segundo a metáfora que pouco-a-pouco é desvendada na trama.

Com esse enredo, apelo popular, rigor técnico e uma a trama que prende a atenção e estimula o pensamento sobre como e porque há tanta revolta, que culminam em crimes e distorção de valores, como a ética, respeito e cidadania “O Florista” se mostra um filme brasileiro não apenas de arte, nem somente voltado ao público, se colocando no meio-termo entre um e outro, buscando um caminho que muitos esperam do cinematografia brasileira, mas que ainda está engatinhando.

Filipi Silveira e Rose Borges sempre se atentaram muito às referências que o filme poderia proporcionar. E isso fica claro nos elementos pop que “O Florista” carrega. “Ultilizo de referência pelo menos no primeiro ato as referências de Anime com os closes fechados e expressivos. E temos homenagem a dois personagens de animes famosos np caso Cavaleiros do Zodíaco e Yu Yu Hakusho porque utilizam um elemento que gosto de dizer que é bonito e letal”, diz o cineasta.

Ele também revela que ao longo do filme embalado pela trilha premiada de Raphael Aguirra e uma reviravolta inteligente, outras referências vão surgindo. “‘Bebi’ um pouco de referências do Noir, Faroeste. Suspense e o Terror. No quesito suspense a abertura do filme é uma super referência aos filmes de Hitchcock que utilizava o trabalho minimalista do designer gráfico Saul Bass. É apenas um curta, mas ali gosto de dizer que tem um pedacinho de vários gêneros e referências de cultura pop”, revela.

O filme foi realizado em 2012. viajou por festivais e passados 5 anos os personagens que povoam a história e atos que ocorrem, não datou, o filme continua atual porque aborda a desinformação que é colocada no começo do curta-metragem, os crimes de ódio, transfobia, homofobia.

“O Florista” coleciona prêmios e indicações. Foi a única produção sul-mato-grossense a participar do Festival de Cannes neste caso no segmento Short Film Corner onde o diretor teve a oportunidade de encontros com representantes do setor audiovisual presentes no festival, workshops e conferências aos seus credenciados.

O filme foi indicado no primeiro turno do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, conquistou o prêmio de melhor curta-metragem no FestCine em 2013; também ganhou o prêmio de Melhor Diretor no Curta Cabo Frio em 2013; recebeu o prêmio de melhor curta-metragem por Júri Popular e melhor trilha sonora no 9º Encontro de Cinema e Vídeo dos Sertões em 2014; participou do Festival América do Sul; do Curta Cinema – Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro; do Curta Cabo Frio; do FANTASPOA – Festival Internacional de Cinema Fantástico; Festival Nacional de Cinema de Petrópolis; e da Festival de Cinema de Anápolis entre outros. O filme também representou o Brasil em festivais que ocorreram nos Estados Unidos, México, França, Polônia, Argentina e Austrália.

Confira o Curta na Íntegra Abaixo:

Ramon Vitor
Nerd, cinéfilo e um estudioso da música. Este é Ramon.