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A Central Entrevista: Charme Chulo!

Charme Chulo é uma banda de Curitiba-PR, toca um Rock/Caipira/Indie pauleira, que consegue fazer a mistura perfeita entre o caipira raiz brasileiro e o nosso amado Rock And Roll. Ela já está para completar 14 anos de estrada, possuindo 3 discos e um EP no currículo. A banda é formada por Igor Filus (voz), Leandro Delmonico (guitarra e viola caipira), Hudson Antunes (baixo) e Douglas Vicente (bateria). E para apresenta-la, nossa redatora e editora Ana Cláudia Covo, conversou  com o guitarrista da banda, Leandro, sobre a carreira e o estilo único da banda!

Como foi o primeiro contato de vocês com a música? O que vocês escutam e quais as suas referências nesse trabalho tão original? 

Acho que cada integrante do Charme Chulo tem uma história particular com relação ao interesse pela música. O que posso afirmar é que o rock, com destaque para os sons mais pesados como punk e heavy metal, é uma unanimidade entre a gente, até porque é um gênero que costuma despertar no adolescente a vontade de tocar um instrumento. Hoje temos uma base musical consolidada, então procuramos ouvir diversas referências, além do rock e da música caipira, que foi a mistura fundamental no conceito do Charme Chulo. Por trás de uma roupagem inusitada sempre pode existir uma boa melodia ou letra que sirva de inspiração.

Vocês tem um estilo musical muito autêntico, onde chegam a misturar o rock dos anos 60, com rock progressivo, sertanejo raiz e country. Na verdade é bem difícil dissertar todos os gêneros usados em suas músicas. Além claro, das incríveis performances que fazem nos shows e de conseguir fazer rock com viola, e isso já é uma baita quebra de tabu. Tendo em vista isto, de onde surgiu a ideia de seguir por este caminho, quem a teve e como foi?

A banda foi fundada em 2003 por mim e pelo Igor (vocalista). Nossa vontade era, não só fazer letras na língua portuguesa, como também agregar algum som regional que representasse o lugar de onde saímos, mais especificamente o Paraná. Assim, juntamos o som de bandas punk e pós-punk que gostávamos como Ramones, The Clash, The Smiths, Legião Urbana, com grandes nomes da música caipira clássica e contemporânea, algo que sempre fez parte da nossa infância (mesmo que não déssemos muita bola na época). Por isso fomos ouvir Tião Carreiro e Pardinho, Tonico e Tinoco, Almir Sater , Renato Teixeira, entre outros. Sentíamos uma certa indignação com o fato da música caipira brasileira não ser tão aproveitada pelo rock como o country americano. Nomes como REM e Wilco preservam um pouco disso, sem soarem retrogradas, por exemplo. Obviamente, acabamos incorporando outros ritmos e influências, principalmente em nosso último disco (“Crucificados pelo sistema bruto”, 2014), o nosso trabalho mais experimental.

Como vocês avaliam o atual cenário musical brasileiro, e como ele podia ficar melhor?

De um ponto de vista democrático, o cenário musical brasileiro vai muito bem. O acesso à música melhorou, tanto para o ouvinte quanto para o artista. No entanto, apesar de não seremos reféns das rádios como nos anos 1980 e 1990, os grandes grupos ainda mexem bastante como mercado. Nada te impede de gravar algo , colocar no Youtube e estourar, mas administrar essa carreira e manter o artista no topo é outra história. Acho que a internet tá ai pra gente aproveitar para o bem e para o mal, mas, na minha opinião, a qualidade da música brasileira passa pela coragem das grandes emissoras investirem em nomes novos e ousados. A indústria do funk e do sertanejo universitário, muitas vezes, fecha o espaço para gêneros diferentes. Assim, o que mais vemos, são artistas que imitam outros em série.

Uma pergunta um pouco mais delicada, dentre todos esses anos de carreira, quais shows, ou acontecimentos lhe marcaram mais?  Quais causos bizarros vocês já passaram? E qual lugar que  ainda não tocaram e tem vontade?

Foram muitos shows e histórias ao longo desses 14 anos de banda. Quando a gente começou a fazer show, era impossível imaginar que um tocaríamos no mesmo palco de artistas como Nação Zumbi, Edgard Scandurra, BNegão, Weezer, gravaríamos no mesmo estúdio do Rappa, Maria Rita e Barão Vermelho ou faríamos duetos com cantores como Marcelo Nova (Camisa de Vênus) ou Sergio Britto (Titãs). Pelo som que fazemos e pela época em que vivemos, não é possível viver exclusivamente da banda, no entanto as histórias que temos fazem tudo valer a pena. Já passamos por mais de 70 cidades e também já perdi a conta de quantos shows vazios fizemos. Uma vez, durante vários shows no Rio de Janeiro, o gerente do bar chegou a perguntar se iríamos realmente fazer o show, pois na plateia constavam 3 pagantes. Já viajamos de carro de Curitiba a Cuiabá para uma apresentação no começo da banda e nosso recorde em meios de transporte foi quando nos apresentamos no Tocantins. Utilizamos ônibus , carro, metrô , avião e barco para fazer o show! . Temos duas grandes vontades: Tocar no nordeste do Brasil e na Europa.

Quais as expectativas para o futuro da banda por parte de vocês?

2017 será um ano de composição e projetos paralelos. Todos os integrantes do Charme Chulo têm mais de 30 anos, logo não é fácil cair na estrada a qualquer custo.  Eu diria que nosso próximo passo é lançar o 4º disco de estúdio e tocar em lugares novos. Me preocupo bastante com o legado da banda, acho que quando não tivermos nada de novo pra mostrar não fará sentido seguir em frente.

Dentre esses quase 14 anos de estrada, vocês já lançaram 3 discos e um EP, sendo o último em 2014, que foi o ‘crussificado pelo sistema.’ Já existe algum projeto para material novo? E em comemoração aos 15 anos, seria possível sonhar com um DVD?

Já faz um tempo que estamos estudando um DVD ao vivo, pois não temos nenhum material que retrate o nosso show de maneira fiel. Eu diria que, junto do processo de composição do próximo trabalho, este é nosso grande plano. Este ano devemos antecipar o que vem por aí com alguns registros.

O que vocês esperam deixar de legado com seus trabalhos? E qual mensagem  podem deixar para nossos leitores e seus fãs?

Se formos lembrados com uma banda que marcou de alguma forma a história da música curitibana e paranaense já será um grande orgulho. Acho que nosso sonho é passar a mesma mensagem dos tropicalistas, ou seja, devemos nos apropriar mais do que é nosso , dos nossos ritmos e valores. É muito bacana ver um artista ou banda que faz um som particular, sem soar uma cópia de um gênero que está na moda. A mensagem que sempre deixo pro público é que o Charme Chulo acredita muito no que faz e trabalha muito em cima das músicas. Cada show tem um sabor especial e fazemos tudo com muito amor. Procurem ouvir nossas canções com calma e leiam as letras, numa dessa você se surpreende!

**Notas do editor:

para finalizar a entrevista, vos deixo um trecho da música “Nova Onda Caipira.”

Então não custa pra eu cantar com uma guitarra
Uma moda inteira, um rock caipira.

Anda logo então,
Aceita, sim ou não?
“Um jeca fino asim”.
Se é bom não é da gente.
Normal vai ser diferente.
“Depois vai gostar de mim”.

Clipe maroto de apresentação da banda:

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Ramon Vitor
Nerd, cinéfilo e um estudioso da música. Este é Ramon.